FOREVER JUNG

 

TEMPERAMENTOS

Em uma de suas de suas ideias mais conhecidas, Jung propôs a existência de tipos psicológicos que se baseiam em quatro dimensões bipolares da personalidade. As dimensões de Jung têm sido combinadas e mescladas com outros construtos para explicar o comportamento humano em situações de natureza gerencial, entre elas a gestão de projetos. Uma das combinações resulta em quatro estilos ou categorias principais de comportamentos: conceitual, analítico, interpessoal e pragmático.

Estilo conceitual

O estilo conceitual combina os traços da intuição e da percepção. É a capacidade de raciocinar em termos abstratos, usar a imaginação, construir modelos e idealizar produtos e situações que não existem. Há pessoas que preferem viver no mundo conceitual e são descritas pelos colegas como intelectuais e estrategistas. Sentem-se confortáveis no espaço das ideias, dos modelos teóricos, da imaginação e do pensamento abstrato. São, às vezes, visionários que percebem as imperfeições e carências da realidade e projetam as utopias.

As pessoas competentes na dimensão conceitual são determinantes para o sucesso da fase de concepção do projeto, quando é preciso trabalhar com ideias abstratas e visualizar um produto inexistente. Em uma equipe de projeto, a pessoa conceitual orienta o pensamento dos colegas para o entendimento das necessidades do cliente, a missão do projeto e a visão do futuro. Ela enfatiza as grandes proposições, as macroanálises e o planejamento estratégico. A falta de conceituais pode levar uma equipe de projeto a se apegar aos detalhes e esquecer o futuro, especialmente se houver predominância de pragmáticos. No entanto, uma equipe formada apenas por pessoas assim pode ter dificuldades para passar da teoria à prática.

Estilo pragmático

De certa forma, os pragmáticos são o oposto dos conceituais. O estilo pragmático combina os traços da racionalidade e do julgamento. É a preferência pela ação, às vezes em detrimento da análise. No limite, o pragmático atira primeiro e depois pergunta em quem acertou, tomando decisões à medida que a ação se desenrola. Eles apreciam mobilizar recursos e colocá-los em ação, planejando e executando os procedimentos práticos necessários para uma ideia funcionar. Os pragmáticos, em resumo, fazem o projeto andar.

As pessoas com temperamento pragmático enfatizam a realização de tarefas e o atendimento das prioridades quando trabalham em equipe. São descritas como pessoas ativas e detalhistas, em quem se pode confiar para que as coisas aconteçam conforme planejado. Elas fazem suas lições de casa e se preocupam com a viabilidade das proposições dos colegas. O estilo pragmático é determinante do sucesso de uma equipe de projeto nas fases de planejamento operacional, implementação e execução, quando é preciso pensar e agir para produzir resultados. Sem pragmáticos, uma equipe pode ficar no mundo das ideias e tornar-se incapaz de pensar na implementação.

Uma equipe formada ou dominada por pragmáticos, no entanto, corre o sério risco de avançar vigorosamente, para desenvolver projetos que não se sabe para onde vão.

Estilo analítico

O estilo analítico traduz-se na busca de informações concretas para tomar decisões. É a combinação dos traços da percepção e da racionalidade. Os analíticos são racionais cartesianos que tentam extrair conhecimentos da observação da realidade, dividindo-a em partes e identificando relações de causa e efeito, para melhor entendê-la. A pessoa com esse estilo procura examinar todos os ângulos de um problema antes de tomar uma decisão ou assumir um compromisso. Os analíticos são determinantes para o sucesso da preparação do projeto, quando é necessário fazer projeções corretas de custo e prazo, com base em informações realistas.

Certas pessoas preferem viver no mundo analítico. Gostam da investigação e são planejadores cuidadosos, que enfatizam o entendimento dos problemas que devem resolver. O estilo analítico revela-se no hábito de fazer perguntas. Por quê? Isso é informação ou opinião? Quando não conseguem aceitar as respostas, os analíticos também podem tornar-se críticos ou desafiadores, que questionam as imperfeições da realidade.

Em uma equipe de projeto, os analíticos desempenham o papel de cientistas que fazem as pessoas raciocinarem com base em informações concretas. Eles querem conhecer as justificativas e a lógica das decisões e não aceitam a autoridade como sinônima da verdade.

As equipes sem desafiadores, ou que rejeitam o comportamento do desafiador, tendem à inércia e à estagnação. É arriscado, no entanto, ser desafiador. Nos regimes autoritários, eles são os primeiros a serem perseguidos.

Estilo interpessoal

O estilo interpessoal combina os traços da intuição e da percepção. É a capacidade de trabalhar com os processos humanos dos projetos. Os interpessoais enfatizam as relações humanas e buscam o entendimento e o consenso, como forma de conseguir resultados. No processo de resolver problemas, os interpessoais procuram montar uma rede de acordos, que viabilizem as decisões.

A pessoa orientada para as relações humanas é um comunicador. Ela ouve bem e facilita a participação alheia, a resolução de conflitos, o consenso e o surgimento de um clima amigável e descontraído. Ela está mais preocupada com a qualidade do relacionamento humano do que com a execução das tarefas ou a realização dos objetivos. Às vezes, no entanto, enxerga o processo como uma finalidade em si mesma.

Uma equipe de projeto sem comunicadores tem dificuldades em seus processos interpessoais. O estilo interpessoal é determinante em todas as fases de um projeto, como uma competência dos integrantes da equipe e do líder.