HOLACRACIA, JÁ CONHECE?

Holarquia é uma ideia do filósofo Arthur Koestler, que a divulgou no livro “The Ghost in the Machine”, de 1967. Popularizada por Ken Wilber, é o nome de sistemas abrangentes, feitos de sistemas ou entidades (hólons) auto-organizados. Brian Robertson transformou essa ideia na holacracia (ou holocracia), o modelo de gestão de sua empresa Ternary Software. O modelo ganhou outros adeptos e em 2014 a Zappos anunciou que o adotaria. A holacracia funciona com base em liderança distribuída, clareza na definição de papeis e reuniões táticas e de governança, para resolver “tensões”. Recentemente, L’Express publicou uma síntese dos princípios que regem esse modelo de gestão. Segue-se a transcrição adaptada dessa publicação.

  1. Adoção das regras do jogo

Antes de tudo, o dirigente deve aceitar ceder sua autoridade às regras do jogo. O poder não estará mais em suas mãos, mas nas regras, materializadas por uma constituição. Uma “razão de ser” deverá ser escolhida para a empresa. Essa razão de ser responde a uma pergunta: qual é o potencial mais profundo de minha empresa? Uma PME francesa, da área de alimentação saudável, escolheu “Bio, criadora e exemplar”. Todas as decisões tomadas em seguida devem ir na direção dessa razão de ser.

  1. Definição de papeis

A holacracia parte do princípio de que o organograma clássico não é verdadeiramente útil. Nem as descrições de cargos, que ninguém nunca olha (nem a própria, muito menos as dos outros). Em vez disso, todas as atividades da empresa serão decompostas em unidades de trabalho, que originam os papeis. O papel e a pessoa que o assume são distintos. Em média, o funcionário assume quatro papéis. Para cada um, ele dispõe de um espaço no qual ele não dirige nem é dirigido por ninguém.

  1. Designação de papeis

Os papeis são designados (ou alocados) aos diferentes colaboradores segundo suas competências. Dentro de um sistema clássico, essa tarefa seria do dirigente. Na holacracia, existe um papel específico para a alocação de papéis. É o papel de “primeiro elo” do círculo. De fato, a organização é composta de diversos círculos. De forma geral, um círculo engloba uma equipe: contabilidade, treinamento, comercial etc. A pessoa que tem o papel de primeiro elo não pode reorganizar o círculo como bem entender. Ela deve necessariamente passar pelo “processo de governança”.

  1. Processo de governança

Na holacracia, a estrutura é viva e pode evoluir segundo a necessidade. Isso passa pelo acerto das “tensões”. Uma tensão existe sempre que houver um desajuste entre a situação vivida por um colaborador e um “potencial”: um problema com um colega que pode vir a ocorrer, uma proposta comercial que não se concretiza, um papel no círculo que não é muito adequado etc. É nas reuniões de governança que se evocam as tensões. Todos os colaboradores têm a oportunidade de se manifestar e fazer proposições. Se a proposição não tem o risco de ampliar o problema, é adotada. Não se trata de consultar todo mundo para estudar outras soluções e discutir durante muito tempo. É assim que as decisões são tomadas, de maneira rápida e fluida. No começo, os colaboradores se ressentem de falar em reuniões das tensões que enfrentam. Mas, pouco a pouco, eles começam a se soltar. Pode-se comparar o que acontece com a desintoxicação. Quando todas as toxinas são eliminadas (as tensões negativas consertadas), os funcionários vão começar a experimentar tensões criativas, que levam à proposição de novos projetos.

  1. Renunciando à “visão”

Ser um chefe “visionário”. É a isso que, em geral, aspiram os dirigentes ambiciosos de empresas. A holacracia implica, para o dirigente, livrar-se desse estado de espírito, dessa “ilusão”. Ele precisará ter em mente que, por mais brilhante que seja, não conseguirá dominar toda a complexidade de sua atividade e do mundo que a cerca. O que define o caminho da empresa não é o dirigente, mas a realidade. É como a diferença entre os pais que dizem “você vai ser médico, filhinho” e os que se dedicam a descobrir, pouco a pouco, os talentos dos pequenos. Pouco a pouco, a organização se adaptará ao mundo, às dificuldades e aos desafios que se apresentarem.

Para saber mais: http://www.lexpress.fr/rh-management/management/5-choses-a-savoir-sur-l-holacratie_1675855.html#WuoRo5P6RGRp8bu5.99 http://lentreprise.lexpress.fr/rh-management/management/avec-l-holacratie-tous-les-noeuds-de-l-entreprise-sont-denoues_1675869.html http://qz.com/167145/the-story-of-holacracys-founder-began-when-he-started-coding-at-age-6/ http://holacracy.org/how-it-works