TEORIA TRIÁRQUICA DA INTELIGÊNCIA

Uma das críticas à teoria do fator geral da inteligência, e em particular aos testes de QI que nela se baseiam, é o foco em atividades de fundo escolar. De fato, os fatores específicos relacionam-se com disciplinas que pertencem ao domínio da educação, mas deixam de considerar capacidades que podem ser importantes em outros ambientes, como a sensibilidade artística, em particular a musical, e as relações humanas. O jovem pode sair-se muito bem em testes de QI, mas não ter nenhuma proficiência na escola da vida. Sternberg, em 1985, fez uma proposição para superar essa ênfase nos problemas abstratos, por meio da teoria triárquica da inteligência. A teoria de Sternberg afirma que a inteligência compõe-se de três subtipos diferentes:

  • Inteligência analítica: é o tipo de inteligência tradicional, necessária para resolver problemas difíceis e praticar em raciocínio abstrato.
  • Inteligência criativa: é o tipo de inteligência necessária para a imaginação e para combinar coisas de maneiras inovadoras.
  • Inteligência prática: é o tipo de inteligência necessária para adaptar o ambiente de maneira a atender às necessidades.

Com essa teoria, a explicação da inteligência tornou-se mais abrangente. Além das competências dos bons alunos, expressas na teoria do fator geral, a ideia da inteligência prática explica como e porque certas pessoas que nunca foram à escola, ou que tiveram desempenho medíocre como estudantes, são empresários extremamente bem sucedidos. Mas, atenção, não conclua que não é necessário estudar para ter sucesso no mundo dos negócios. De fato, há empresários bem sucedidos que foram estudantes de alto nível, assim como há pessoas que não tiveram bom desempenho em nenhuma das duas dimensões. Esse tema é complexo e não admite explicações simplificadoras. Uma das críticas ao conceito de QI é justamente sua ênfase escolar, o que, para alguns, representa uma discriminação contra aqueles que não tiveram oportunidade de receber educação de qualidade. Outra crítica baseia-se no fato de que há pessoas com valores contrários à educação – não gostam de estudar – e são mal avaliadas quando submetidas a testes com essa ênfase.

Para conhecer mais: MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Recursos humanos: estratégia e gestão de pessoas na sociedade global. Rio de Janeiro: LTC, 2014.